Recuperar as poupanças de previdência suíças
Trabalhou na Suíça, mesmo que só alguns anos? Então descontou para três pilares de reforma. Parte desse dinheiro pode ser-lhe paga logo que sai do país; o resto fica à sua espera. E muitas contas ficam simplesmente esquecidas: no final de 2025, a Fundação Instituição Supletiva LPP, que recebe nomeadamente os capitais que ninguém reclamou, geria 1,6 milhões de contas de livre passagem, num total de 21 mil milhões de francos.
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O que pode fazer
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Os três pilares em resumo
1.º pilar: a AVS
Para um cidadão da UE ou da EFTA, as contribuições AVS nunca são reembolsadas: dão direito a uma pensão suíça na idade de referência, a partir de um ano completo de contribuições. A idade de referência é de 65 anos; para as mulheres nascidas entre 1961 e 1963, é de 64 anos e 3, 6 ou 9 meses. Só os cidadãos de países sem convenção de segurança social, e os de alguns países cuja convenção o prevê (Austrália, Brasil, Chile, China, Índia, Coreia do Sul, Filipinas, Tunísia, Uruguai), podem pedir o reembolso.
O extrato de conta individual é gratuito e pede-se em linha, mesmo a partir do estrangeiro. Peça-o já: um ano em falta corrige-se muito mais facilmente cedo do que no momento da reforma.
2.º pilar: a previdência profissional (LPP)
Quando deixa o seu empregador suíço, o seu capital (a «prestação de saída») vai para uma ou duas contas de livre passagem. Quando deixa definitivamente a Suíça:
- fora da UE e da EFTA, pode levantar tudo;
- na UE ou na EFTA, pode levantar a parte extraobrigatória, mas a parte obrigatória fica bloqueada se estiver obrigatoriamente segurado para a reforma no seu novo país. Caso contrário, por exemplo se não tiver atividade, pode levantar tudo, desde que o prove junto do Órgão de Ligação;
- a partir de 5 anos antes da idade de referência, ou seja, aos 60 anos em geral, pode levantar tudo como prestação de velhice, onde quer que viva.
Um levantamento em capital exige o consentimento escrito do cônjuge. O capital pode também financiar a compra da sua habitação própria permanente, incluindo no estrangeiro.
3.º pilar: o 3a
O pilar 3a pode ser levantado na totalidade numa saída definitiva, mesmo para a UE. As compras retroativas de 3a introduzidas em 2025 exigem um rendimento sujeito à AVS na Suíça: já não se aplicam a quem saiu do país.
O imposto na fonte e o seu reembolso
Qualquer capital do 2.º ou do 3.º pilar pago a um não residente está sujeito a um imposto na fonte suíço, à taxa do cantão onde a caixa ou a fundação tem sede: por exemplo, 2,5% a 5,1% no total em Schwyz, mais noutros cantões. É reembolsável no prazo de 3 anos quando a convenção fiscal reserva a tributação ao seu país de residência.
| Vive em | 2.º pilar | 3.º pilar (3a) |
|---|---|---|
| França, Itália | Reembolsável se o capital for aí tributado | Idem |
| Alemanha, Espanha, Portugal, Luxemburgo, Estados Unidos | Reembolsável | Reembolsável |
| Bélgica | Não, exceto contribuições não deduzidas na Suíça | Reembolsável |
| Reino Unido, Canadá, Austrália | Não | Não |
Quando o imposto suíço é definitivo, o cantão conta: pode mudar de fundação de livre passagem a qualquer momento e, portanto, escolher um cantão com impostos baixos antes de pedir o pagamento.
Em França, o capital do 2.º pilar pago de uma só vez pode, por opção, ficar sujeito a uma tributação liberatória de 7,5% depois de uma dedução de 10%, ou seja, 6,75% do montante. A opção é assinalada na declaração de rendimentos do ano do pagamento e é irrevogável. Confirme se se aplica a um levantamento antecipado, antes da reforma.
Encontrar um capital esquecido
Mudanças de emprego, mudanças de casa, uma caixa que não o conseguiu contactar: um capital esquece-se depressa. A Central do 2.º pilar diz-lhe gratuitamente que instituição o detém. Basta um formulário assinado; a resposta chega por correio. Em 2025, tratou 190.099 pedidos e encontrou um capital em 78% dos casos. Um familiar pode fazer a pesquisa com uma procuração ou, após um falecimento, com a certidão de óbito e a prova do parentesco.
Se não for reclamado, o capital fica na instituição supletiva e passa, 10 anos depois da idade de referência, para o Fundo de Garantia LPP: no final de 2025, aí esperavam pelos titulares 45.475 capitais, num total de 313 milhões de francos.
Trabalhou noutros países?
Na União Europeia, os períodos de trabalho somam-se para abrir o direito à reforma, e cada país paga a sua parte. Noutros países, as regras variam:
Alemanha
Um cidadão da UE não tem direito ao reembolso das contribuições: receberá uma pensão alemã se somar 5 anos de seguro, contando os períodos na UE e na Suíça. O pedido é feito através da instituição de pensões do seu país de residência.
Reino Unido
A State Pension pede-se a partir do estrangeiro ao International Pension Centre, a partir de 10 anos de contribuições. Desde 6 de abril de 2026, já não é possível descontar voluntariamente na Class 2 a partir do estrangeiro, apenas na Class 3. O Pension Tracing Service encontra pensões de empresa. Transferir uma pensão britânica para a UE (QROPS) passou a custar 25%.
Austrália
Depois de um visto temporário, incluindo o visto de férias-trabalho, a «super» recupera-se depois de sair do país, através do serviço em linha DASP. É tributada a 65% para os vistos de férias-trabalho (417 e 462) e a 35% nos outros casos (45% sobre a parte que não foi tributada na origem). Seis meses após a partida, o fundo transfere a super para a administração fiscal australiana, onde continua a poder ser reclamada.
Canadá
A pensão do CPP (RPC), ou do RRQ no Quebeque, é paga no estrangeiro a partir de uma única contribuição válida. O Canadá tem acordos de segurança social com a França e a Bélgica. Um levantamento de um RRSP (REER) por um não residente sofre uma retenção de 25%.
Estados Unidos
São necessários 40 créditos para uma pensão da Social Security, mas bastam 6 créditos americanos graças aos acordos com a França e a Bélgica. Um levantamento de um 401(k) sofre uma retenção de 30%, que pode ser reduzida ao abrigo da convenção fiscal com o formulário W-8BEN.
Luxemburgo
A pensão de velhice obtém-se aos 65 anos com 120 meses de seguro, somando os períodos na UE e na Suíça. Cada país paga a sua parte; o pedido é feito através da instituição do país de residência.
O nosso acompanhamento
A pesquisa oficial é gratuita e pode tratar de todas estas formalidades sozinho com este guia. Se preferir ter ajuda, estamos a preparar um serviço de acompanhamento: pesquisa das suas contas, pedidos de pagamento, prova de não sujeição a seguro obrigatório, escolha da fundação e reembolso do imposto na fonte, tanto na Suíça como nos outros países. Consoante o processo, o serviço será prestado por nós ou por um parceiro especializado, e diremos sempre, antes de qualquer compromisso, quanto custa e como somos remunerados.
O serviço abre em breve. Entretanto, o diagnóstico acima já lhe diz o que pedir e a quem.
Regras resumidas e verificadas em outubro de 2026 junto das fontes oficiais suíças. Não substituem o parecer da sua caixa de pensões, da administração fiscal ou de um consultor.
Fontes
- AVS/AI: memorando 880, trabalhar na Suíça e sair do país
- AVS/AI: memorando 3.01, pensões de velhice
- Caixa Suíça de Compensação: reembolso das contribuições
- Caixa Suíça de Compensação: extrato de conta individual
- Fundo de Garantia LPP: pagamento em dinheiro em caso de saída
- Central do 2.º pilar: procedimento de pesquisa
- Fundo de Garantia LPP: relatório anual de 2025
- Fundação Instituição Supletiva LPP: relatório anual de 2025
- AFC (administração fiscal federal suíça): imposto na fonte sobre as prestações de previdência
- Cantão de Schwyz: imposto na fonte sobre capitais de previdência
- DGFiP (administração fiscal francesa): pensões em capital dos residentes em França
- ATO: Departing Australia Superannuation Payment
- GOV.UK: State Pension a partir do estrangeiro
- Deutsche Rentenversicherung: reembolso das contribuições
- Canadá: CPP a partir do estrangeiro
- Social Security: acordo com a França
- CNAP: pensão de velhice no Luxemburgo